Dieta flexível: Conceito e aplicação prática

2019-06-10T19:11:06+00:0017 de maio de 2019|Cálculo matemático, Emagrecimento, Estrategias dietéticas|

Atualmente na internet, o número de informações sobre dieta, alimentos e suplementos é grande e tende a crescer cada vez mais, entretanto, mesmo assim a obesidade mundial cresce exponencialmente. Fica a dúvida: será que dietas restritas em calorias funcionam para uma perda de peso sustentável?

Em 2005, o fisiologista americano Lyle McDonald escreveu o livro “Guia da Dieta Flexível” (1) o qual mudou a forma de ver a dieta e a composição dos alimentos contidos nela. A possibilidade de comer alimentos considerados “não saudáveis” (sorvete, chocolate, pizza e lanches) e ainda ter resultado de redução de gordura corporal, chamou muito a atenção e se tornou muito popular nos EUA. Mas como explicar isso? qual é a magica?

O principio básico cientifico da dieta flexível é o balanço de calorias consumidas versus a necessidade de calorias do indivíduo, sendo assim, se um indivíduo consome 1500kcal durante o dia e sua necessidade é de 2000kcal, neste exemplo, o déficit calórico de 500kcal faz com que ele tenha uma redução de peso corporal, independente da qualidade e a fonte das calorias. Este tipo de estratégia faz com que o ato de “fazer dieta” fique menos penoso, pois a escolha de alimentos mais palatáveis, maior possibilidade de incluir alimentos e menos proibições, não geram os problema de compulsão alimentar, como acontecem em dietas hipocalóricas restritas.

Como tudo que é novo gera desconfiança, temos alguns exemplos de aplicações práticas com indivíduos americanos, como por exemplo o professor de nutrição humana da Universidade do Kansas, Mark Haub (2), que durante 10 semanas consumiu uma dieta hipocalórica contendo 1/3 das calorias de doces e chocolate e mesmo assim perdeu peso e ainda melhorou seus parâmetros bioquímicos (perfil lipídico). Essa é mais uma confirmação que o total de calorias consumidas no dia é mais importante do que a qualidade dos alimentos.

Para simplificar, vamos calcular uma dieta de 2000kcal contendo 40% de carboidratos, 40% de proteínas e 20% de lipídios. Traduzindo em gramas de cada nutriente temos: 200g de carboidrato, 200g de proteína e 44,5g de lipídios. Vamos imaginar que o indivíduo do exemplo coma uma porção de pizza que contenha 50g de carboidrato, 15g de proteína e 25g de lipídios. Esta dieta não está arruinada como a maioria das pessoas podem pensar, pois na verdade se o indivíduo incluir este valor da pizza no total, ainda no dia falta 150g de carboidrato, 185g de proteína e 19,5g de gordura. Seria este o pensamento matemático de uma dieta flexível.

Logicamente que não é saudável escolher somente alimentos processados, pois eles tem muito sódio, gordura trans e são pobre em fibras, deixando a pessoa com menos saciedade e mais fome durante o dia. Assim se colocarmos um exemplo que se for consumido 80% das calorias totais do dia com alimentos ricos em nutrientes e fibras (saudáveis), teremos 20% de alimentos com menor qualidade nutricional (não saudáveis) que podem ser consumidos e mesmo assim, se o total calórico do dia for respeitado, teremos um resultado positivo com essa estratégia nutricional.

Parece mentira, mas a ciência sempre vence! No fim das contas, é uma estratégia que necessita de conhecimento nutricional, ferramentas que ajudem na contagem dos macronutrientes e calorias dos alimentos e logicamente a disciplina para “bater os macros” diariamente. Procure sempre um nutricionista para te orientar na organização da dieta e suplementação nutricional.

Referência:
1) Lyle McDonald. A Guide to Flexible Dieting, 2005.
2) http://edition.cnn.com/2010/HEALTH/11/08/twinkie.diet.professor/index.html