Existe uma quantidade máxima de proteína para se ingerir por refeição?

2019-07-27T13:11:14+00:004 de julho de 2019|Cálculo da dieta|

Nos dias atuais, a pesquisa científica acerca da quantidade e qualidade proteica para modular a síntese proteica muscular é uma das mais questionadas na nutrição esportiva contemporânea.

Quantidade máxima de proteína por refeição

Grupos de pesquisa com expertise no tema propõem uma quantidade máxima de proteína por refeição baseada no peso corporal dos indivíduos, estipulada entre 0,3-0,4g/kg/refeição (Phillips et al, 2014).

Por exemplo: um individuo eutrófico saudável pesando 80kg pelos cálculos descritos acima deveriam ingerir 24-32g de proteína por refeição, que pode ser traduzido por:

  • 100g de frango grelhado ou
  • 5-8 claras de ovo coz ou
  • 100g de carne moída patinho ou
  • 120g de peixe branco assado ou
  • 30-40g de proteínas isoladas de alto valor biológico

Estima-se também que a qualidade proteica da refeição ofereça por volta de 3,5g de L-leucina dentro de 20-40g de proteína por refeição. Todos esses dados foram baseados em trabalhos que analisaram a síntese proteica após a ingestão de diferentes quantidades de proteínas (Areta et al. 2013).

Síntese proteica muscular

Entretanto, pesquisadores brilhantes como Nicolas Deutz e Robert Wolf questionam esse “nível máximo” por refeição e colocam que a síntese proteica possui duas chaves mestras: Anabolismo (síntese proteica) e Catabolismo (degradação proteica).

Além disso, esses pesquisadores observam que os trabalhos atuais se baseam apenas na chave Anabólica e não se atentam na quantidade necessária de proteína para reduzir o Catabolismo, esta última não é atenuada pelo mesmo volume proteico quando comparado com a síntese proteica. (Deutz & Wolf, 2013)

Essas informações são bem interessantes pois em populações específicas como idosos e pacientes acamados existe uma preocupação em redirecionar o fluxo esplânico (fluxo das vísceras) para que exista uma maior disponibilidade de aminoácidos plasmáticos para os músculos esqueléticos.

Isso corrobora com um trabalho feito em pacientes desnutridos que ingeriram a mesma quantidade proteica por 42 dias, sendo que a principal diferença é que a distribuição proteica foi diferente para os grupos:

  • 70% do total diário foi oferecida no almoço para o grupo Pulse
  • E o outro grupo controle recebeu 30% de na mesma refeição

No final do trabalho foi analisado a composição corporal dos pacientes, e foi encontrado um resultado positivo de agregação de massa muscular nos pacientes que ingeriram 70% do total proteico diário no almoço. (Bouillanne etal.,2012)

Importância da dieta individualizada

Na prática diária de consultório podemos observar que realmente não podemos generalizar as pessoas como todas iguais. Considerando a quantidade padronizada de proteína por refeição para determinados pacientes (atletas e pessoas fisicamente ativas), pode ser observado o desfecho clínico de redução de massa muscular.

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Assim, o ideal é procurar um nutricionista esportivo que prescreva a quantidade adequada de proteína por dia dentro da necessidade individualizada, somando neste total os alimentos e os suplementos dietéticos.

Bons treinos e boa dieta!!

Referencias bibliográficas

Phillips,S.M.(2014a).A brief review of critical processes in exercise-induced muscular hypertrophy. Sport.Med. 44,71–77.

Deutz,N.E.,and WolfeR.R.(2013).Is there a maximal anabolic response to protein intake with a meal? Clin.Nutr. 32,309–313.

Areta,J.L.,Burke,L.M.,Ross,M.L.,Camera,D.M.,West,D.W.D.,Broad,E.M.,etal.(2013).Timing and distribution of protein ingestion during prolonged recovery from resistance exercise alters myofibrillar protein synthesis. J.Physiol.591,2319–2331.

Bouillanne O, Curis E, Hamon-Vilcot B, Nicolis I, Chretien P, Schauer N, et al. Impact of protein pulse feeding on lean mass in malnourished and at-risk hospitalized elderly patients: a randomized controlled trial. Clin Nutr 2012 Aug 30;(0).

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