Adoçantes – Mitos e verdades

2019-07-27T13:05:28+00:0016 de julho de 2019|Benefícios da dieta|

É fato que um dos principais causadores da obesidade é o consumo calórico excessivo e dentro deste contexto se encontra o açúcar branco.

Quimicamente conhecido como sacarose, sendo um carboidrato que possui um sabor muito doce, porém a Organização Mundial da Saúde, recomenda que o consumo na dieta deve se limitar a 5-10% das calorias totais (1).

Os edulcorantes, mais conhecidos como adoçantes, são compostos químicos produzidos através de matéria prima natural ou artificial. Foram desenvolvidos com o objetivo de substituir a caloria e o sabor do açúcar branco em alimentos e bebidas.

No Brasil, atualmente existem 7 tipos de adoçantes liberados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA):

Sacarina:

Descoberta em 1879, a sacarina é o mais antigo edulcorante intenso e por isso ganhou o nome semelhante a sacarose-sacarina, embora sua estrutura seja totalmente diferente da sacarose.

É aprovada em mais de 90 países e admitida como segura por vários comitês internacionais e devido a estabilidade térmica (sem alteração na sua estrutura após uma hora sob temperatura de 150°C) e em meio altamente ácido (pH 2,0 a 8,0). A sacarina pode ser utilizada em produtos assados, temperos para saladas, geleias, gelatinas, bebidas carbonatadas, preparados para refrescos, enlatados e outros produtos.

Em produtos não alimentícios, é utilizado em pasta de dentes e outros produtos de higiene oral e pessoal.

Aspartame:

O aspartame é o éster metílico de dois aminoácidos, a fenilalanina e o ácido glutâmico, ou seja, éster metílico de L-aspartil-L-fenilalanina.

A molécula de aspartame é composta de 39,5% de ácido aspártico, 50% de fenilalanina e 10,5% de éster metílico.

Seu uso é liberado como adoçante de uso geral pelas entidades como o Joint Food and Agriculture Organization of the United Nations/WHO Expert Committee on Food Additives (JECFA), Autoridade Européia de segurança alimentar e o Food and Drug Admintration (FDA) (2,3). Entretanto, não deve ser utilizado para alimentos submetidos ao calor, por isso é mais encontrados em bebidas que são resfriadas.

Seu consumo deve ser evitado por pessoas com o erro inato do metabolismo da fenilcetonúria, por conter fenilalanina, já que a ingestão desse aminoácido deve ser controlada por pacientes com essa doença (4).

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Acessulfame de Potássio (Acessulfame – K):

O acessulfame-k é o adoçante mais resistente ao tempo e a altas temperaturas. Adoça 200 vezes mais do que a sacarose e é eliminado totalmente pelo organismo através da urina. Ao contrário do aspartame, mantém seu poder adoçante quando aquecido, o que o torna adequado para alimentos cozidos.

Devido a sua estabilidade à pasteurização, é indicado para produtos lácteos e em enlatados. O pH ácido ou alcalino torna o acessulfame útil em produtos de panificação, confeitaria e pós para bebidas de cacau, que devem ser ingeridas quentes.

O acessulfame é indicado na fabricação de caramelos duros e macios, sobremesas, sorvetes, geleias, gomas de mascar e conservas de frutas.

Sucralose:

Foi aprovada para utilização como adoçante de uso geral em 1999, sob algumas condições de uso.

É encontrada em alimentos como: produtos de padaria, bebidas, chicletes, gelatinas e sobremesas congeladas à base de leite. É um substituto do açúcar para produtos assados.

Neotame:

A sua utilização foi aprovada em 2002, como adoçante de uso geral e intensificador de sabor de alimentos, mas possui condições para o seu uso. Pode ser utilizado como substituto do açúcar em produtos assados.

Estévia:

Produzida com as folhas de uma planta conhecida como Stevia Rebau­diana, encontrada em alguns lugares da América do Sul. Seus testes foram realizados em 2008 e a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece seu uso.

Pode ser utilizada como adoçante de uso geral e como substituta do açúcar para produtos assados.

Ciclamato:

O ciclamato foi um dos primeiros adoçantes descobertos, sendo que a sua aprovação também contou com a análise de inúmeros estudos científicos. No Brasil, é permitido e pode ser utilizado como substituto do açúcar e para utilização em produtos assados.

Tabela: Tipos de adoçantes

ADOÇANTE INGESTÃO DIARIA ACEITÁVEL PODER ADOÇANTE X AÇUCAR PODE SER AQUECIDO?
ACESSULFAME K 15mg/kg/dia 200X SIM
ASPARTAME 50mg/kg/dia 200X NÃO
CICLAMATO 11mg/kg/dia 30X SIM
ESTÉVIA 4mg/kg/dia 400X SIM
SUCRALOSE 5mg/kg/dia 600X SIM
SACARINA 15mg/kg/dia 400X SIM
NEOTAME 0,3mg/kg/dia 7000X SIM

Fonte: World Health Organization. Evaluations of the Joint FAO/WHO Expert Committee on Food Additives (JECFA). 2017.
http://apps.who.int/food-additives-contaminants-jecfa-database/search.aspx.(2)

Terrorismo nutricional com adoçantes

Frequentemente alguns adoçantes são criticados por profissionais da saúde por estarem associados a causa de algumas doenças. Existem trabalho científicos realizados com animais e cultura de células que analisam doses tóxicas e possíveis efeitos colaterais.

Entretanto, não existem estudos científicos com seres humanos que comprovem tais malefícios e em uma recente revisão de literatura de TOEWS e colaboradores (2019), não foi encontrada nenhuma evidência científica em humanos que o uso dos adoçantes possam causar câncer, resistência a insulina, disbiose intestinal, alteração glicêmica ou ganho de peso corporal (3).

Na verdade, existe um grande terror nutricional instalado nas mídias sociais e causados por profissionais desatualizados e charlatões, sendo necessário avaliar muito bem as fontes das informações disseminadas de forma errônea.

O contexto total da dieta e dos hábitos de vida de uma pessoas são os fatores determinantes para a saúde ou para a doença e que o uso dos edulcorantes de forma isolada, não causará problemas a saúde.

É importante salientar que o nutricionista sempre estimula a alimentação saudável, com alimentos de verdade e que se necessário, o uso de tais adoçantes dentro de uma quantidade adequada não prejudicará a saúde.

Assim, sempre procure um profissional de saúde que usa as evidencias científicas como base do seu trabalho.

Referencias bibliográficas

World Health Organization (WHO). Guideline: Sugars Intake for Adults and Children; WHO: Geneva, Switzerland, 2015

World Health Organization. Evaluations of the Joint FAO/WHO Expert Committee on Food Additives (JECFA). 2017.

Toews et al. Association between intake of non-sugar sweeteners and health outcomes: systematic review and meta-analyses of randomised and non-randomised controlled trials and observational studies. BMJ 2019;364:k4718.

Santos MP dos, Haack A. Fenilcetonúria: diagnóstico e tratamento Com Ciências Saúde. 2012;23(4):263-70.

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