Nutrição e o sistema imunológico

2020-03-24T15:44:58-03:0024 de março de 2020|Sem categoria|

Para o nutricionista, não há dúvidas que o hábito alimentar, a qualidade e a quantidade dos alimentos, a disponibilidade de vitaminas e minerais, podem influenciar o sistema imunológico. Esse tema tem sido comentado atualmente, devido ao surgimento de um novo vírus (chamado de antígeno, cientificamente), chamado COVID-19 (CoronaVirus). Leia essa matéria que fala da relação entre a nutrição e o sistema imunológico.

O sistema imune é complexo. Possui uma infinidade de células, anticorpos, barreiras físicas/químicas e citocinas que orquestram a resposta imunológica contra invasores exógenos ao nosso organismo. O processo de inflamação é um dos exemplos de resposta imunológica e que mobiliza inúmeras células. Os sinais desse processo são: calor, tumor, rubor e dor.

Sistema imune inato e adquirido

Didaticamente, temos o sistema imune inato. Formado basicamente por macrófagos, neutrófilos, células dendríticas e natural killers que consegue atacar fungos, bactérias e protozoários. Já o sistema imune adquirido é mais complexo. Pois possui subtipos de linfócitos T (CD4, CD8, CD15, etc) que comandam o ataque contra vírus. Bem como produzindo os anticorpos específicos pelos linfócitos B.

Um sistema imune efetivo consegue sinalizar, interagir e multiplicar células, proteínas e anticorpos conforme a necessidade imposta. Ao passo que a energia e os nutrientes fornecidos através da alimentação, participam desses processos (CALDER; JACKSON, 2000; CALDER et al., 2002). Os hábitos alimentares incoerentes podem influenciar na supressão do apetite, má absorção dos alimentos. E ainda, no aumento dos requerimentos energéticos e aumento das perdas de nutrientes endógenos (GLEESON, NIEMAN; PEDERSEN, 2004).

Triagens com seres humanos demonstram que a utilização de nutrientes elementares e mudanças qualitativas na dieta podem interferir positivamente na quantidade e funcionalidade do sistema imunológico.

Sistema imunológico em atletas

Essencialmente, o sistema imunológico sofre modulações negativas a partir da desnutrição proteico energética. Principalmente em atletas engajados nos esportes que possuem divisões de categorias por peso corporal (lutas, boxe, levantamento de peso). E esportes que se possa tirar vantagem de um baixo peso ponderal (ginastas, maratonistas).

O efeito deletério de uma dieta inadequada pode ser visto em um curto espaço de tempo. Pois uma perda maior do que 2kg de massa corporal em duas semanas podem diminuir a capacidade fagocitária de macrófagos (KONO et al., 1988). Basicamente, a disponibilidade menor de nutrientes como glicose e aminoácidos plasmáticos interferem na produção dos hormônios glicoreguladores, como o CORTISOL. Este em excesso, deprime as ações imunes, causando a imunossupressão.

Importância do exercício físico para o sistema imunológico

Por outro lado, o exercício físico é um outro modulador do sistema imune. Uma pessoa fisicamente ativa possui uma imunologia mais adaptada aos estresses exógenos, ou seja, quanto mais treinado for o indivíduo, mais o sistema será adaptado ao estresse do exercício físico. O mesmo acontece com uma pessoa sedentária, que nunca realiza nenhum tipo de atividade física. Essa pessoa pode ter uma imunossupressão por não estar adaptado ao estresse do exercício físico. Como por exemplo os “atletas de final de semana” que ficam sedentários 6 dias da semana e no domingo jogam 3-4 horas de futebol. Nos dias posteriores, provavelmente a pessoa sofrerá alguma perturbação imune, como febre e dores corporais e infecção das vias aéreas respiratórias.

O sedentarismo associado a hábitos alimentares errados, principalmente o consumo de gorduras saturadas, gorduras trans, excesso de açúcar e álcool pode interferir de forma negativa na atividade das células imunológicas. E associado ao ganho de gordura corporal, o sistema imune tende a produzir cada vez mais citocinas pro-inflamatórias. Agravando assim, a disbiose intestinal, o ganho de peso e o controle do consumo calórico.

Quantidades de energia e macronutrientes médios

Os ajustes da dieta devem seguir recomendações para que o sistema imune não tenha suas atividades comprometidas. Assim a tabela abaixo demonstra as quantidades de energia e macronutrientes médios oferecidos pelas sociedades de nutrição esportiva.

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Kcal/kg/dia Carboidratos (g/kg/dia) Proteínas (g/kg/dia) Lipídios (g/kg/dia)
25-50kcal/kg 2-5g/kga 1,6-2,2g/kg 0,8-1,2g/kg

 

Vitaminas e minerais que suportam o sistema imunológico

Vitamina A.
Possui ação antiinflamatória e apresenta um papel muito importante na manutenção da integridade das membranas mucosas. Fontes alimentares: cenoura, abóbora, fígado, espinafre cozido, melão, batata doce, brócolis, papaia, manga, aspargo, pêssego, beterraba, alho, alho poró, broto de bambu, lentilha, melancia, banana, caqui, gema de ovo, damasco, cereja.
Vitamina C.
Aumenta a produção das células de defesa do organismo, tendo efeito direto sobre bactérias e vírus, elevando a resistência a infecções. Fontes alimentares: goiaba, pitanga, agrião, caju, espinafre, fruta do conde, melão, frutas cítricas (kiwi, limão, acerola, laranja), couve, brócolis, tomate, pimentão amarelo.
Vitamina E.
Parte do sistema de defesa do corpo, interage com as vitaminas A e C e com o mineral selênio, agindo como antioxidante (o que retarda o processo de envelhecimento). Fontes alimentares: germe de trigo, óleos de soja, óleo de arroz algodão, milho e girassol, abacate, gema, vegetais folhosos e legumes.
Piridoxina (Vitamina B6).
Excelente para aumentar a imunidade geral do organismo. Tem uma ação protetora contra o câncer, ajuda a controlar alguns tipos de diabetes e tem sido muito usada para aliviar sintomas da tensão pré-menstrual. Fontes alimentares: levedo de cerveja, lentilha, arroz integral, semente de girassol, soja, germe de trigo, banana, cenoura, abacate, melão, vísceras, peixes, gema de ovo, nozes.
Selênio.
Participa com cofator enzimático em reações antioxidantes, imunoestimulantes, desintoxicantes e antiinflamatórias. Fontes alimentares: frutos do mar, vísceras, alho, cebola, milho, cereais integrais, cogumelo, levedo, castanha do Pará e ovos caipira.
Zinco.
Atua na reparação dos tecidos e na cicatrização de ferimentos. Fontes alimentares: carnes, aveia, frutos do mar, leite, gema, espinafre, semente de girassol, cogumelo, gengibre.  
Ácido Fólico.
Essencial para a formação dos leucócitos (glóbulos brancos) na medula óssea. Fontes alimentares: fígado, feijões, brócolis, couve e espinafre.

 

O profissional dever orientar a pessoa de que os hábitos saudáveis devem ser mantidos por um longo prazo para que haja uma melhora do sistema imune. E que estratégias como “shots imunológicos”, raízes, chás milagrosos não tem efetividade nenhuma dentro de uma alimentação totalmente desregulada e uma vida sedentária.

Pelo exposto acima, observa-se a importância de profissionais especializados para prescrever uma dieta balanceada, contendo nutrientes relacionados ao sistema imunológico, bem como suprir o aporte calórico em pessoas e atletas com grandes demandas energéticas.

Referência bibliográfica:

Donatto, F.F. Nutrição, Suplementação e Fitoterapia: ciência e pratica. 2017.

 

 

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